Price Waterhouse

Finalmente vida na contabilidade !

Rui M. dos Santos

Rui M. dos Santos

· Atualizado 13/05/2026

E que vida !!

OK .. Sai da FAzenda Cahombo... De alguma forma entrei para a PWC ( creio que na altura fui convidado por um amigo-colega do ICL, o Rodrigues que depois virou meu mentor em muitas coisas profissionais que fiz ) para me juntar à PWC. Bem mais em linha com o curso do ICL que fiz.

O meu trabalho na PWC foi uma experiencia e tanto...

O 25 de Abril de 1974 apanhou-me na PWC ... Logo nessa altura um colega da PWC disse-me... Rui, pede a tua transferência para outra PWC no mundo. Isto aqui vai virar fogo ... Eu já pedi ( e de facto ele foi dos primeiros bazantes ). Eu olhei para ele e não acreditei .. Tinha tido acesso a vários documentos dos planos de Angola... Como é que alguém ia deitar aqueles planos para o lixo e "lixar tudo" ?? Não fazia sentido ... Nem para portugueses, nem para MPLA, nem para FNLA e UNITA ... Ninguém. Não fazia sentido. Angola era uma FORÇA ECONÓMICA ... O barco dava para todos !! ( verificou-se infelizmente que o meu colega tinha razão ...)

MAS sobre o trabalho na PWC

  • aprendi muita coisa .. O Rodrigues ensinou.-me a trabalhar com o RUF + POC (plano de contas) + abrir e fechar contas + fazer balanços e fechos de contas

  • tinha a meu cargo 50% dos clientes "Book keeping" da PWC

  • estive em processos de auditoria no Cabinda Golf, na VHS VanOmeren (não sei se escrevi bem) em várias outras auditorias como a Fabrica de Cervejas Ngola e a AAA de Malange ( cada uma destas auditorias merece um artigo próprio )

  • Fui lançado no mato sem cachorro para organizar a contabilidade da Fabrica Tony Cooper ( que depois me ofereceram 2 calças boca de sino ) e mais uma fabrica textil no cacuaco (não me lembro o nome agora)

  • tinha a meu cargo as contabilidades do Abbott ( de quem mais tarde aceitei a oferta para virar controller quando a PWC fechou) e da Plessey ( de quem mais tarde ainda aceitei a oferta para virar controller quando o Abbott fechou em Angola

  • Estive em Calulo num dos projectos de auditoria mais loucos que já vi

  • Viajei pela primeira vez de avião, primeiro para Sá da Bandeira ( hoje Lubango ) para conhecer o melhor contabilista do mundo a fazer uma fábrica de cerveja funcionar TUDO EM CIMA DA PRANCHETA RUF

  • Viajei de avião para a AAA - Malange para um serviço de auditoria que não terminou porque a guerra estava em cima da cidade e os nossos supostos responsáveis disseram algo como "não tenho como garantir a vossa segurança pelo que tem que regressar a Luanda... Dissemos então coloque-nos no avião ... ele disse ... Avião ?? Está tudo tomado. Se houvesse avião seria para mim e minha familia. Tenho que vou largar e ir tratar da minha segurança e minha familia"

    • Apanhamos o comboio de Malange para Luanda - 14 horas onde passamos por "n" controlos militares que mal entravam na carruagem viam 4 brancos de mala diplomática no meio de 40 outros viajantes negros. Claro que o foco eramos nós !! Felizmente explicamos tudo ... Tinhamos os documentos todos e tudo foi aceite

    • Quando chegamos a Luanda já era depois do "recolher obrigatório" .. Os meus colegas optaram por ficar na estação do Bungo... Eu, que, morava no prédio Cuca e conhecia bem o eixo viário porque o "palminhava a pé" quer quando treinava quem quando era vendedor o corria a pé para ir da baixa para a parte alta da cidade e vice versa decidi "arricar"

      • Avançei pelo eixo viário e cheguei a casa.

      • Dia seguinte estava no escritorio

      • Dias mais tarde a PWC decidiu fechar e eu aceitei ir trabalhar para o ABBOTT