Conta Própria

Mais experiência num mercado de economia planificada

Rui M. dos Santos

Rui M. dos Santos

· Atualizado 13/05/2026

Eu estava trabalhar em pleno na Plessey.

Acontece que eu, era empregado local e, apesar de, comparativamente aos outros angolanos do País eu até ganhar bem, facto é que os meus colegas expatriados ganhavam 20 vezes mais. Não estamos a falar em ganhar mais, estamos a falar em ganhar 20 vezes mais. Até determinada altura aceitei a situação até que tive uma situação onde, o meu director ( que eu até admirava ) se aproveitou do meu trabalho para se promover na hierarquia da empresa sem fazer uma simples referência ao meu nome. Eu, que, devido ao meu conhecimento do sistema de alfandega, importação e bancário de Angola ( grande parte aprendido no Abbott) tinha conseguido encontrar todos os documentos e "pagar" a totalidade da divida angolana do Estado e da filial a Plessey Portugal fui ignorado em todo o processo informativo à chefia de Portugal. Ele, assumiu isso num memo que anexava os cheques da totalidade da divida angolana e que por acidente vi, com as palavras "... Finalmente consegui ..." Conseguiu nada... Eu tinha feito o trabalho todo. Pelo menos uma referência deveria ser feita.

Aí bravei .. Se até o meu chefe que eu admirava me traía ... Ele que ganhava 20 vezes mais do que eu ... Eu era a mula !

Então fiz um memo à direcção a solicitar a revisão salarial mais ou menos nos termos seguintes " ... ou me pagavam igual aos expatriados ou eu saía ..."

A direcção não aceitou e eu "saí" ... Técnicamente fiquei desempregado.

Como satisfação para me substituirem mandaram vir dois expatriados e tiveram que terceirizar um monte de serviços porque eles quase nem saiam do escritorio.

Atá para fazer a contabilidade veio um expatriado (algo que eu fazia num dia como explicado no artigo Abbott)

Mas o objetivo deste artigo não é falar sobre a saida da Plessey mas sim explicar o que fiz até criar a empresa Protecnica.

Voltei ao meu trabalho de 72... Vendedor .. Passei a "vender a quem quisesse comprar" coisas que precisavam.

Arranjei um leque de fornecedores estrangeiros e fui fazendo alguns negócios "registado como agente em nome individual"

  • Vendi fechos eclair para os uniformes militares

  • Vendi material escolar para o Centro Nacional de Alfabetização ( só para terem uma ideia se alinhasse camions DAF com todo o material vendido, cerca de 20 de Akz ( cerca de 666 mil USD ) estamos a falar em camions alinhamos desde o Porto de Luanda até quando ao primeiro de maio ... Esferograficas BIC, cadernos, quadros, giz, lapis, borrachas, afia lapis ...

    • E tudo isto poupando ao CNA o equivalente a 10M de Akz ... O director do CNA ficou bem cotado no Min da Educação por isto ...

    • HOJE este negócio seria pelo menos de 10 a 15 vezes mais em termos de valor para as mesmas quantidades.

  • Não me lembro agora de outro grande negócio mas lembro-me de ter mandado vir amostras

    • Calçado de uma empresa portuguesa da VIARCO

    • Aguardentes e produtos vinicolas das Caves do Alto Viso

Lembro-me de viajar para Amesterdan, comprar produtos electrónicos, sobretudo HiFi e trazer como bagagem para Angola e vender em Angola ... Trocar os Kwanzas de novo no paralelo e voltar a viajar e voltar a trazer mais produtos. Terei feito isto umas 3 ou 4 vezes neste período.

Convencido que não seria possivel criar uma empresa privada nova em Angola, foi neste interregno que tentei assumir a gerência da STAG e depois do Polonio Bastos